terça-feira, 5 de junho de 2012

Raskólnikov e o Mensalão


Para quem não acompanhou as notícias, alguns veículos da imprensa, como a revista veja, época e alguns jornais denunciaram que o nosso ex-presidente está tentando, através de tráfico de influência, obstruir a justiça e manipular votos no julgamento do mensalão pelo STF. Seguem algumas gratuitas, disponíveis na internet.







Para mim foi muito difícil ler as notícias sobre as conversas do ex-presidente Lula e o ministro Gilmar Mendes do STF (Supremo Tribunal Federal) sobre o julgamento do mensalão e não associar com Raskólnikov, personagem principal do livro Crime e Castigo, de Fiódor Dostoiévski. Raskólnikov acreditava que as pessoas estavam divididas entre "ordinárias" e "extraordinárias": as ordinárias deviam viver na obediência e não tinham o direito de transgredir as leis, ao passo de que as extraordinárias (como Napoleão Bonaparte) tinham o direito, não declarado, de cometer crimes e de violar leis, desde que suas intenções, se fossem úteis à humanidade como um todo, o exigirem. No caso do livro, o personagem russo usa essa teoria megalomaníaca para justificar o assassinato de uma velhinha. No caso do Brasil, pode-se dizer que Lula se vale da mesma teoria de Raskólnikov para impedir que o caso conhecido como “Mensalão” seja julgado e que qualquer um dos réus seja condenado. Reescrever a história e tentar criar uma em que o Mensalão nunca existiu. História em que o povo brasileiro não passa de um bando de ordinários e tolos por acreditar que os réus do Mensalão eram apenas fruto da nossa imaginação perversa. De que a lei é apenas um objeto incômodo na estratégia do partido (Já ouvi um certo senhor austríaco, de bigodinho, dizer algo muito semelhante nos palanques da Alemanha por volta de 1940).
É muito triste dizer isso, mas se o STF sucumbir à pressão política e não julgar o caso “Mensalão” antes das eleições de 2012, estão atestando que Lula e que todos os réus do caso são seres extraodinários.

É isso!

Um comentário:

  1. Nunca li o livo Crime e Castigo, mas o que consegui depreender é que o tal personagem acreditava mesmo que haviam os tais seres extraordinários e ele seria um deles. Não venho tão nítida assim essa convicção em Lula e seus PTralhas. Vejo-os como espertalhões oportunistas que encontraram um jeito de enganar o povo brasileiro com conversa de benfeitos mas são parasitas da nação. O fato é que estão muito preocupados com o julgamento que se aproxima, principalmente se isso vier a sujar a imagem carismática de Lula, impedindo a sua continuidade de poder. Que haja justiça no Brasil.

    ResponderExcluir