quarta-feira, 10 de abril de 2013

A Originalidade e o Macaco de Três Cabeças


Como é difícil ser original em alguma coisa! Recentemente, no trabalho, saí do elevador e ouvi um certo rapaz falar para uma senhora: “Olha! Um macaco de três cabeças!” Eu fiquei, além de espantado, orgulhoso! Afinal um total desconhecido leu um conto que eu escrevi (Publicado em 2004, no jornal da minha faculdade). Com o passar do dia, ao comentar com um colega de trabalho o que tinha acontecido, ele responde de bate pronto que já ouviu a expressão. Ela vem de um jogo muito antigo, de 1990, chamado Monkey Island. Um personagem do jogo usava essa expressão para enganar os outros. Até a figura do Macaco de Três Cabeças que eu concebi em minha mente é parecida com a mostrada pelo jogo.


Monkey Island


O Macaco de Três Cabeças do Jogo Monkey Island

Refletindo melhor sobre a ocasião, escrevi a referida história por conta de uma história engraçada que meus amigos contaram. De que um rapaz apontou o dedo para um suposto macaco de três cabeças e enganou outro. Ou seja, ou a pessoa era muito criativa, ou ela tinha jogado Monkey Island. E acabei me convencendo de que a minha idéia não era tão original quanto eu pensava. É curioso, mas quando digitei o nome do referido conto no google, apareceu no primeiro resultado “Monkey Island” (Já buscando no Yahoo aparece outra coisa, mas não vem ao caso). Em 2004, o primeiro resultado que aparecia era o do jornal da faculdade. Não havia nada sobre esse jogo. Lendo um pouco mais os resultados percebi que o Monkey Island apareceu em primeiro lugar dada a declarada inspiração neste jogo para o roteiro do filme Piratas do Caribe. Mas quem se lembrava do Monkey Island? Passei a prestar um pouco mais de atenção neste tipo de coisa em um sentido mais amplo.

“As aventuras de Pi” x “Max e os Felinos”


Capas dos respectivos Livros

A idéia do filme, para mim, pareceu muito original até ver o artigo acima. Se baseia em um livro do brasileiro Moacyr Scliar. É curioso que o autor do filme realmente viu o livro e acusou o brasileiro de estragar uma ótima idéia. Idéia que veio do próprio brasileiro e não do cara (Yann Martel). Que folgado! Fácil criticar depois que já está feito, não? Enfim, vale a pena ver a entrevista que o autor do livro original dá sobre o assunto, de originalidade, inclusive:


“Ipad” x “Tablets”

Depois que Steve Jobs faleceu, ele quase foi canonizado como santo inventor dos tablets e dos smartphones. Mas ele não foi quem tem teve essas idéias não. Já haviam vários produtos no mercado antes do dele. Porém, na era moderna, o ex-presidente da Apple é conhecido como o pai desses aparelhos, de um modo geral.


“Viva La Vida” x “If I Could Fly”

Esse já é um dos mais escandalosos, mas poucos prestaram atenção. O Coldplay, colocou uma letra em cima da música “If I Could Fly” do Joe Satriani, e a chamou de “Viva La Vida”. Não sou eu quem está falando não. Tem uma série de vídeos em que vários músicos provam que é plágio. Mas enfim, quantos sabiam que o Joe Satriani tinha uma música assim?



Se pararmos para ver o ponto em comum dos 3 casos que mostrei, em todos observamos que quem é lembrado é quem teve o seu produto mais consumido no mercado. Que conseguiu vender a idéia mesmo não sendo sua! É esse o reconhecido como autor original da coisa.

·      No caso do livro, “As aventuras de Pi” vendeu infinitamente mais do que “Max e os Felinos”.
·      No caso dos Tablets e Smartphones, Iphones e Ipads são e continuarão dominando uma grande fatia do mercado por um bom tempo.
·      No caso das músicas, Coldplay, é uma banda muito mais pop e cujas músicas tem muito mais exposição nas rádios do que as músicas de Joe Satriani, um grande instrumentista.

Realmente, hoje ainda é mais difícil ser original! Estando conectado na internet, conseguimos saber com muito mais eficiência se alguém já teve alguma de nossas idéias. Porém é impossível saber com certeza, se quem as teve não as divulga.

Com relação ao meu conto que originou este post, será postado logo em seguida.

É isso!

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